Em vez de ser apenas mais um teste de rotina, o voo de 17 de dezembro marcou um daqueles momentos em que uma indústria mostra, na prática, que consegue fechar o ciclo: desenhar, fabricar e fazer voar. Nesse dia, na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, o Brasil realizou com sucesso o primeiro voo de ensaio de uma aeronave não tripulada equipada com uma turbina a jato desenvolvida integralmente no país.
O protagonista foi o Albatroz Vortex, uma plataforma aérea não tripulada de alto desempenho criada pela Stella Tecnologia. O marco está no conjunto: pela primeira vez, um drone nacional voou impulsionado por uma turbina a jato também de conceção e fabrico locais - a ATJR 15-5, desenvolvida pela AERO Concepts, sediada em São José dos Campos (estado de São Paulo).
Apoyo institucional y marco de cooperación
O ensaio contou com apoio do Ministério da Defesa e da Força Aérea Brasileira (FAB), no âmbito do Acordo de Cooperação e Amizade para o Desenvolvimento Tecnológico, assinado em novembro de 2025. Este acordo prevê atividades de investigação, desenvolvimento e produção de sistemas de propulsão até 5.000 N para veículos aéreos não tripulados, alinhadas com requisitos estratégicos da FAB.
Durante o teste, foi verificado o funcionamento da turbina em condições reais de voo, bem como a integração entre o sistema propulsivo e a aeronave - um dos principais desafios técnicos no desenvolvimento de drones desta classe.
Características del Albatroz Vortex
O Albatroz Vortex é uma plataforma aérea não tripulada com um peso máximo à descolagem próximo dos 150 kg, desenvolvida a partir de uma família de drones já consolidada pela Stella Tecnologia. A adoção de propulsão a jato alarga o envelope de voo, permitindo velocidades mais elevadas, operação a altitudes superiores e novas possibilidades de emprego.
“O voo do Albatroz Vortex é a continuidade natural de um trabalho iniciado com o desenvolvimento do Atobá, hoje a maior plataforma não tripulada já criada no hemisfério sul, e do Albatroz convencional. A introdução da propulsão a jato amplia significativamente o horizonte tecnológico destas plataformas”, afirmou Gilberto Buffara Jr., presidente da Stella Tecnologia.
La turbina ATJR 15-5
A aeronave foi impulsionada pela ATJR 15-5, uma turbina a jato com empuxo de 500 N, desenvolvida integralmente pela AERO Concepts. O desenho baseou-se numa análise de mercado e o projeto foi financiado com recursos próprios, abrangendo as etapas de conceção, fabrico de protótipos, ensaios em banco e validação em voo.
Com este voo, a ATJR 15-5 tornou-se a primeira turbina a jato desenvolvida no Brasil a operar em voo integrada num sistema aéreo não tripulado. Segundo a empresa, o resultado valida uma linha completa de turbinas com empuxos entre 500 e 5.000 N, direcionada a diferentes classes de plataformas não tripuladas.
“AERO Concepts foi criada para desenvolver propulsão a jato nacional com aplicação real. Ver uma turbina nossa a voar numa plataforma robusta como o Albatroz Vortex confirma a maturidade da engenharia brasileira e valida uma linha completa de turbinas entre 500 e 5.000 newtons”, assinalou Alexandre Roma, diretor de Operações e Engenharia do Grupo AERO Concepts.
Integración tecnológica y antecedentes operativos
A integração da turbina a jato no Albatroz Vortex foi viabilizada pelo nível de maturidade técnica alcançado pelos drones desenvolvidos pela Stella. A cooperação entre a Stella Tecnologia e a AERO Concepts foi formalizada em 2024 durante a feira FIDAE, quando ambas as empresas começaram a trabalhar em conjunto na estratégia de ensaios e na adaptação do sistema propulsivo à aeronave.
Este avanço soma-se aos testes anteriores do sistema Albatroz realizados durante 2025, quando a plataforma foi avaliada com vista ao reforço das capacidades de vigilância e controlo marítimo do Brasil. Nesse contexto, o drone foi testado a partir de instalações em terra antes da futura avaliação embarcada a partir do porta-helicópteros NAM Atlântico, da Marinha do Brasil.
O Albatroz foi concebido para operar tanto a partir de navios como de pistas improvisadas com menos de 150 metros, e tem 4 metros de comprimento e 7 metros de envergadura, mantendo um peso máximo à descolagem de 150 kg.
Próximas etapas del programa
Após o voo inaugural, o programa entrou numa fase de ensaios progressivos orientados para expandir o envelope de voo, avaliar o desempenho e consolidar o sistema propulsivo. Estes testes permitirão otimizar tanto a plataforma aérea como a turbina.
Em paralelo, a AERO Concepts avança na consolidação dos seus processos produtivos, com o objetivo de dominar integralmente o fabrico de turbinas a jato no Brasil, incluindo o acesso a matérias-primas estratégicas e a redução de dependências externas. Segundo a empresa, estas capacidades visam responder a futuras necessidades da Marinha, do Exército e da Força Aérea.
Alcance estratégico
O voo do Albatroz Vortex evidenciou a capacidade da indústria brasileira para integrar sistemas aéreos não tripulados com propulsão a jato, consolidando competências industriais consideradas estratégicas e ampliando a margem de autonomia tecnológica do país no setor aeroespacial.
Imagens obtidas de Stella Tecnología
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