De campeão mundial de karate a ícone do cinema de ação, Chuck Norris passou décadas a construir uma imagem impossível de confundir: dureza, silêncio e uma pancada capaz de resolver qualquer problema. Pelo caminho, ainda teve tempo para ser parceiro de treino de Bruce Lee, protagonizar dezenas de filmes e, mais tarde, virar matéria-prima para um universo inteiro de memes.
A carreira no grande ecrã atravessa mais de quarenta anos - das artes marciais filmadas em Hong Kong no início dos anos 70 aos “blockbusters” já na década de 2010. Estes são dez papéis pelos quais gostamos mais de Chuck.
1. Colt - "The Way of the Dragon" (1972)
O filme onde tudo começou. Bruce Lee escreveu o argumento, realizou e chamou Chuck Norris para interpretar o antagonista principal - um lutador chamado Colt. O confronto final no Coliseu de Roma é tido como uma das melhores cenas de luta da história do cinema. Bruce passou 45 horas a coreografar este duelo, e a marcação da luta ocupa quase um quarto do guião. A rodagem no Coliseu foi, na prática, ilegal - a equipa teve de se fazer passar por turistas para conseguir levar câmaras para dentro. Este papel transformou Chuck Norris num nome conhecido em todo o mundo.
2. J.J. McQuade - "Lone Wolf McQuade" (1983)
Um Texas Ranger solitário que prefere trabalhar sem parceiro, beber cerveja e resolver tudo à pancada. O filme de Steve Carver tornou-se um dos cartões de visita de Norris: tem tiroteios, perseguições de carros e uma luta final épica com David Carradine - com ambos a recusarem duplos e a lutarem a sério. Muitos críticos apontam-no como o melhor filme de ação de Norris, e o próprio Chuck admitiu que "Lone Wolf" o inspirou, uma década depois, a criar a série "Walker, Texas Ranger".
3. Colonel James Braddock - "Missing in Action" (1984)
O papel que cimentou Norris como rei da ação dos anos 80. O Coronel Braddock é um ex-prisioneiro de guerra do Vietname que regressa à selva para resgatar soldados americanos que ainda permanecem em cativeiro. O filme chegou aos cinemas antes de "First Blood Part II" do Rambo e foi o primeiro a marcar território no nicho “veterano regressa ao Vietname”. Foi um sucesso de bilheteira e gerou duas sequelas: "Missing in Action 2: The Beginning" (1985) e "Braddock: Missing in Action III" (1988).
4. Sergeant Eddie Cusack - "Code of Silence" (1985)
Para muitos críticos, aqui está o melhor trabalho de interpretação de Norris. O polícia de Chicago Eddie Cusack trava uma guerra em duas frentes: contra um cartel de droga e contra a corrupção dentro do próprio departamento. O realizador Andrew Davis (que mais tarde faria "The Fugitive" com Harrison Ford) conseguiu puxar de Chuck uma atuação verdadeiramente séria e dramática. Curiosidade: o argumento foi originalmente escrito como o quarto filme de "Dirty Harry", mas acabou por ser comprado pela Orion Pictures por 800.000 dólares e adaptado para Norris. O filme estreou em primeiro lugar nas bilheteiras.
5. Matt Hunter - "Invasion U.S.A." (1985)
O filme de ação “puro anos 80” em plena era da Guerra Fria. Matt Hunter é um agente reformado da CIA que vive como eremita nos Everglades, na Florida. Quando um exército de terroristas comandado pelo agente soviético Rostov chega à costa e começa uma campanha de caos por todo o país, Hunter levanta-se sozinho para defender a América. O filme é completamente insano, carregado de explosões e tiroteios - e é precisamente por isso que se tornou um clássico de culto.
6. Major Scott McCoy - "The Delta Force" (1986)
Inspirado no sequestro real do voo 847 da TWA, o filme de Menahem Golan conta uma operação especial para libertar reféns de um avião sequestrado. Norris interpreta o líder da unidade de elite Delta - e é um daqueles casos raros em que teve um co-protagonista de peso: Lee Marvin (no que seria o seu último papel no cinema). O filme teve uma sequela - "Delta Force 2: The Colombian Connection" (1990).
7. Max Donigan - "Firewalker" (1986)
Uma viragem inesperada para Norris - uma comédia de aventura ao estilo de "Indiana Jones". Chuck e Louis Gossett Jr. fazem de dois caçadores de tesouros que partem à procura de ouro asteca antigo. É um filme leve, divertido, e prova que Norris consegue fazer mais do que lutar - também sabe brincar e mandar umas piadas. Não é uma obra-prima, mas é essencial para fãs.
8. Sean Kane - "An Eye for an Eye" (1981)
Um dos primeiros grandes êxitos a solo de Norris. Sean Kane é um polícia de São Francisco cujo parceiro é morto por traficantes de droga. Kane abandona a polícia e inicia a sua própria caça aos criminosos. O filme é importante como marco: é aqui que a persona de Norris no ecrã fica totalmente definida - o vingador silencioso, inabalável, com punhos de ferro.
9. Cordell Walker - "Walker, Texas Ranger" (CBS series, 1993–2001)
O papel mais icónico e reconhecível de Norris. O Texas Ranger Cordell Walker combate o crime com karate, chapéu de cowboy e um sentido de justiça inquebrável. A série durou 9 temporadas (mais de 200 episódios), foi transmitida em mais de 100 países e deu origem ao telefilme "Walker, Texas Ranger: Trial by Fire" (2005). "Walker" tornou-se a principal fonte dos memes de Chuck Norris que tomaram a internet de assalto em meados dos anos 2000.
10. Booker - "The Expendables 2" (2012)
Um regresso nostálgico ao grande ecrã. No filme de ação coral de Simon West, Norris aparece como o misterioso Booker, com a alcunha "Lone Wolf" - e rouba todas as cenas em que entra. Ao seu lado estão Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Jason Statham e Jean-Claude Van Damme. Este foi o último grande projeto cinematográfico de Norris, e saiu em grande - com um sorriso e uma piada à Chuck Norris.
Conclusion
Chuck Norris nunca quis ganhar um Óscar. Fez algo bem mais importante - deu a milhões de espectadores no mundo inteiro ação pura e sem filtros, onde o bem acaba sempre por vencer o mal e um só homem consegue mudar tudo. Os seus filmes não são apenas “filmes de ação”. São uma era inteira, um código cultural para uma geração, e um lembrete de que os heróis a sério não precisam de efeitos especiais. Só precisam de um murro.
Rest in Peace, Chuck. March 10, 1940 - March 20, 2026
Hoje, 20 de março de 2026, Carlos Ray "Chuck" Norris deixou-nos. Tinha 86 anos. Há apenas dez dias, a 10 de março, celebrou o aniversário - e, como sempre, estava bem-disposto e cheio de energia: "I don't age... I level up." Morreu no Havai, rodeado pela família, em paz e em silêncio.
É difícil pôr em palavras o que este homem significou para várias gerações. Para uns, foi o herói das cassetes VHS gastas de tanto rebobinar. Para outros, foi o Texas Ranger que fazia qualquer sábado parecer mais seguro. Para muitos mais, foi a personagem imortal das piadas onde conseguia derrotar o próprio Universo.
Mas, por trás dos memes, dos “roundhouse kicks” e das explosões, havia um homem real. Um rapaz de uma família pobre no Oklahoma. Um veterano da Força Aérea que serviu na Coreia do Sul. Um lutador que ganhou o seu cinturão à custa de esforço e suor. Um ator que não teve medo de começar carreira em Hollywood quando já passava dos trinta. Um marido, pai e avô. Um homem que carregou uma ideia simples, mas poderosa, a vida inteira: nunca desistir.
A morte não vence pessoas como ele. Os filmes ficam. O espírito fica. E algures, numa dimensão paralela, Chuck Norris continua de guarda - e ainda consegue derrubar qualquer mal com um só olhar.
Obrigado por tudo, Chuck. Foste - e serás sempre - imparável.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário