Durante anos, a Stellantis seguiu uma linha bem definida: apertar custos e manter os preços sob controlo para proteger as margens. Esse foi um dos pilares do período em que Carlos Tavares liderou o grupo. Com Antonio Filosa a assumir o cargo de diretor-executivo, a narrativa mudou - e a prioridade também.
Depois de um ano especialmente agitado, marcado por uma queda de 3,9% no mercado europeu e por menos de 1,9 milhões de ligeiros de passageiros matriculados (fonte: ACEA), Filosa está a virar a agulha. A estratégia passa agora por privilegiar o aumento do volume de vendas, mesmo que isso implique sacrificar parte da margem de lucro.
Em França - um dos mercados europeus mais importantes para a Stellantis - essa viragem já se nota. O FIAT Pandina (o antigo Panda) passou a estar disponível a partir de 9900 euros, enquanto o Opel Corsa levou um corte de 24%, com preços a começar nos 15 900 euros.
“Este ano, na Stellantis, decidimos ser mais agressivos comercialmente. Estamos a reduzir preços e a reposicionar algumas marcas. Fizemos uma aposta, precisamos de recuperar volume”, afirmou Xavier Duchemin, presidente da Stellantis França.
Em Portugal, chegar a estes valores é, à partida, irrealista, já que a carga fiscal é mais pesada do que em França. Um dos exemplos mais evidentes está no segmento dos híbridos, mais eficientes e com menos emissões, que podem pagar até 12 vezes mais imposto em sede de ISV, devido ao recurso a motores com cilindradas mais elevadas.
Por cá, a Stellantis vive um momento bem diferente: “a competitividade dos nossos produtos têm um valor e um preço que é reconhecido pelos clientes. Prova disso, não apenas a Stellantis é o grupo líder do mercado nacional e a Peugeot é a marca mais vendida, como vários dos modelos das nossas marcas são a primeira escolha dos clientes e lideram os respetivos segmentos”, referiu o grupo em comunicado à Razão Automóvel.
Stellantis quer recuperar terreno em França
Segundo a Reuters, que cita quatro fontes próximas do processo, a nova estratégia vai além de tornar os modelos mais acessíveis ao público em geral. Inclui também um reforço das vendas a frotas - como empresas de aluguer, empresas privadas e serviços públicos - um canal normalmente associado a margens mais baixas, mas capaz de assegurar volumes elevados.
O objetivo é simples: reconquistar quota de mercado na Europa e também na América do Norte, duas regiões onde o grupo perdeu competitividade nos últimos anos. Em França, por exemplo, as vendas da Stellantis caíram 6,8% em 2025, num mercado que recuou 5%. A quota do grupo desceu 0,5 pontos percentuais, fixando-se nos 28% (fonte: Associação francesa da indústria automobilística (PFA).
De acordo com Xavier Duchemin, os cortes de preços deverão contribuir para travar esta tendência, sobretudo num cenário em que não se antecipa um crescimento relevante do mercado francês em 2026.
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