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Investigadores mostram: paredes verdes podem eliminar até 98% dos poluentes do ar interior.

Pessoa sentada a trabalhar num portátil junto a uma parede decorada com plantas verdes.

As investigações mais recentes mostram de que forma as plantas conseguem reduzir este risco de forma muito significativa.

Muita gente associa smog e substâncias tóxicas sobretudo a gases de escape e complexos industriais. No entanto, é precisamente dentro de casa - em salas, escritórios e salas de aula - que, muitas vezes, se acumulam níveis particularmente elevados de poluentes. Tintas, mobiliário, produtos de limpeza, ambientadores, aquecedores, fumo de tabaco ou vapores da cozinha libertam uma mistura de gases e partículas que, com o tempo, degrada claramente o ar interior. Um estudo realizado em Sevilha dá agora uma indicação surpreendentemente clara de como esta carga pode ser drasticamente reduzida com a ajuda de plantas.

Quando a casa (ou o escritório) faz adoecer

As entidades de saúde agrupam os efeitos do ar interior de fraca qualidade sob a designação “síndrome do edifício doente”. Por trás deste termo estão sinais que muitos reconhecem, mas que raramente associam ao espaço onde vivem ou trabalham:

  • fadiga persistente, mesmo depois de dormir o suficiente
  • dores de cabeça, sobretudo após permanecer muito tempo no mesmo espaço
  • irritação nos olhos, no nariz ou na garganta
  • dificuldade em manter a concentração
  • uma sensação pesada, “abafada”, na cabeça

Em edifícios novos ou recentemente remodelados, somam-se ainda outras fontes: emissões de vernizes, alcatifas, derivados de madeira ou colas. Uma parte importante destes compostos pertence ao grupo dos chamados compostos orgânicos voláteis (VOC). Estão presentes no ar - muitas vezes de forma invisível e sem cheiro - e podem libertar-se de materiais durante anos.

“Os espaços interiores podem estar entre duas e cinco vezes mais carregados do que o ar exterior - mesmo em cidades com muito trânsito.”

Perante este cenário, investigadoras e investigadores da Universidade de Sevilha procuraram uma solução fácil de integrar em edifícios existentes e que dispensasse tecnologia complexa.

Um teste num compartimento de vidro

Para o ensaio, a equipa construiu um espaço fechado em vidro. Dentro desse miniambiente instalaram as chamadas paredes verdes: superfícies verticais densamente cobertas com plantas de interior seleccionadas. O ar conseguia circular, mas o sistema mantinha-se isolado do exterior.

De seguida, introduziram no ar poluentes típicos de interiores, incluindo:

  • dióxido de azoto (NO₂) - um gás irritante, proveniente, por exemplo, de fogões a gás ou de emissões de combustão
  • dióxido de enxofre (SO₂) - gerado sobretudo na queima de combustíveis fósseis
  • formaldeído - um VOC que frequentemente se liberta de móveis, aglomerados, têxteis ou colas
  • acetona - conhecida de removedores de verniz, mas também presente em alguns detergentes e tintas

Depois, o grupo monitorizou como as concentrações destes compostos evoluíam ao longo do tempo, enquanto o ar passava pelas paredes de plantas.

Até 98% menos poluentes em apenas 24 horas com paredes verdes de plantas

O desfecho surpreendeu até quem participou no estudo. Ao fim de um dia, praticamente todas as substâncias nocivas tinham quase desaparecido.

“Consoante o poluente, os valores desceram 96 a 98 por cento no espaço de 24 horas.”

O que chamou a atenção não foi apenas a redução elevada, mas também a rapidez. Apenas um quarto de hora após a introdução dos contaminantes, a concentração já tinha caído de forma visível.

As medições indicaram que, ao fim de 15 minutos, conforme a substância, já tinha sido removido cerca de um quarto até quase metade da carga inicial. Em termos práticos, isto significa que as paredes verdes não actuam só a longo prazo: conseguem também melhorar o ar de forma perceptível ao longo do próprio dia.

As espécies que mais se destacaram no ensaio

A equipa analisou cinco espécies populares de plantas de interior, adequadas, em princípio, para jardins verticais:

Espécie Nome latino Ponto forte observado no ensaio
Lírio-da-paz Spathiphyllum wallisii reduziu dióxido de azoto em cerca de 60 por cento dentro de uma hora
Clorófito (planta-aranha) Chlorophytum comosum degradou formaldeído com particular rapidez
Figueira-trepadeira Ficus pumila bom desempenho geral na filtragem de vários gases
Filodendro (trepador) Philodendron scandens versátil, espécie robusta para coberturas densas
Tradescância Tradescantia zebrina ajudou a reduzir vários VOC

Os resultados foram claros: nem todas as espécies funcionam da mesma forma para todos os poluentes. É a combinação de plantas que determina quão amplo é o leque de substâncias removidas.

“Uma mistura bem pensada de espécies de plantas aumenta significativamente o efeito da parede verde.”

Como é que as plantas limpam o ar interior

Que as plantas conseguem reter poluentes não é um tema completamente novo na investigação. O trabalho de Sevilha mostra, porém, de forma muito concreta, até que ponto este efeito pode ser ampliado quando as plantas são usadas de propósito como filtro.

Há vários mecanismos em simultâneo:

  • as folhas absorvem gases através de pequenos estomas
  • parte das substâncias deposita-se em superfícies como folhas e caules
  • no substrato das raízes vivem microrganismos que degradam determinados poluentes
  • graças à circulação de ar na parede verde, o ar carregado passa repetidamente pelas zonas activas

Esta combinação transforma os jardins verticais numa espécie de filtro natural, que funciona sem substituição de filtros e sem tecnologia exigente. Naturalmente, um “biofiltro” destes precisa de manutenção, rega e, por vezes, poda - mas não requer cartuchos de filtro descartáveis.

Não substitui a ventilação - mas é um reforço relevante

As investigadoras e os investigadores sublinham que as paredes de plantas não vêm “substituir” os sistemas tradicionais de ventilação e filtragem. Em vez disso, encaram a vegetação como mais um pilar num conceito de edifícios saudáveis.

“As paredes de plantas não substituem o arejamento rápido com janelas abertas ou um bom sistema de ventilação - reduzem a carga residual e melhoram o clima interior de forma perceptível.”

Na prática, estas soluções podem ser úteis em muitos contextos:

  • escritórios e open spaces com ar condicionado
  • escolas e creches, onde arejar pode ser difícil
  • apartamentos junto a vias com tráfego intenso
  • consultórios, salas de espera, ginásios
  • hotéis, restaurantes e centros comerciais

Em espaços onde muitas pessoas passam horas em conjunto, a limpeza contínua do ar pode aliviar a carga. Além disso, a vegetação tem também um efeito psicológico: está comprovado que as plantas reduzem o stress e aumentam o bem-estar.

O que isto significa para casas particulares

O estudo trabalhou com paredes verdes profissionais, densas e cuidadosamente montadas. Ainda assim, algumas conclusões podem ser adaptadas à realidade doméstica. Quem não tem espaço ou orçamento para um sistema completo pode começar por uma “mini parede verde”, por exemplo através de uma estante bem preenchida.

Tendem a ser úteis, sobretudo, espécies resistentes, com muita massa foliar e boa capacidade de adaptação ao interior, como:

  • lírio-da-paz
  • clorófito (planta-aranha)
  • epipremno (pothos) e outros filodendros trepadores
  • figueira-trepadeira
  • diferentes espécies de fetos

O essencial é combinar várias plantas e, em vez de as espalhar pela divisão, concentrá-las num ponto por onde o ar circule - por exemplo perto de uma janela ou junto a uma porta.

Riscos e limites a ter em conta

Apesar de apelativa, esta abordagem exige atenção a alguns aspectos por parte de moradores e de quem projecta os espaços:

  • pessoas com alergias fortes a pólen ou a bolores podem reagir a certas espécies
  • erros na rega favorecem bolor no substrato - e aí o efeito pode tornar-se negativo
  • crianças pequenas e animais de companhia tendem a roer folhas; algumas plantas de interior são ligeiramente tóxicas
  • em divisões com pouca luz, muitas espécies precisam de iluminação adicional com lâmpadas para plantas

Quem estiver a planear uma grande parede verde deve, por isso, envolver profissionais. Esses especialistas seleccionam espécies adequadas, desenham a rega e a iluminação e garantem uma estrutura fácil de manter e de limpar.

Porque é que este tema vai ganhar ainda mais importância

Os edifícios estão a tornar-se mais estanques para poupar energia. As janelas ficam muitas vezes fechadas e os sistemas de climatização passam a comandar a entrada de ar. Com isso, cresce automaticamente o peso de qualquer medida que melhore a qualidade do ar interior.

As paredes verdes reúnem várias vantagens: reduzem poluentes, atenuam ruído, ajudam a regular ligeiramente a humidade do ar e valorizam esteticamente os espaços. Em conjunto com sensórica moderna que monitoriza parâmetros do ar, podem imaginar-se sistemas capazes de ajustar a circulação sempre que determinados limites sejam ultrapassados.

Para cidades com muita construção nova e com edifícios existentes a precisar de reabilitação, a vegetação vertical no interior pode afirmar-se como um componente da prevenção em saúde - não como solução milagrosa, mas como uma complementação concreta e viva à tecnologia e a regras de comportamento como arejar com regularidade e evitar o uso desnecessário de ambientadores ou produtos de limpeza perfumados.

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